EMILIANO RUSCHEL: ASTRO BRASILEIRO RUMO AO ESTRELATO MUNDIAL

FOTO 01 - EMILIANO RUSCHEL - Foto de Livia Wippich

 

FOTO 07 - EMILIANO RUSCHEL recebendo o prêmio de melhor ator no Los Angeles Brazilian Film Festival - Foto de Marcos Daniel Fe

 

FOTO 02 - EMILIANO RUSCHEL - Foto de Livia Wippich

O ator Emiliano Ruschel (28) acaba de ganhar a estatueta de Melhor Ator no Los Angeles Brazilian Film Festival 2014 pelo filme ‘Pra Sempre Nunca Mais (Forever Nevermore)’. O tradicional festival é realizado todos os anos na Califórnia, EUA.

Também concorreram ao prêmio os atores Caio Castro pelo filme ‘A Grande Vitória’ e Tuca Andrada pelo filme ‘Jogo de Xadrez’.

No longa-metragem dirigido por Emerson Muzeli, Emiliano interpreta o impetuoso e dominador colono italiano Domingo Rosso, que maltrata a esposa camponesa.

Sem estreia prevista no Brasil, o filme segue com um trailer instigante na internet: http://www.emilianoruschel.com/#!coming-soon/ctaa

Emiliano é natural de Lagoa Vermelha no Rio Grande do Sul. O leonino iniciou a carreira aos 5 anos de idade, em Passo Fundo, fazendo comerciais para a TV.

No Rio, onde viveu por muitos anos, atuou no teatro e na televisão. Destacam-se em seu currículo as novelas ‘Sete Pecados’ (2007/08) e ‘Cheias de Charme’ (2012), ambas na Globo, e ‘Promessas de Amor’ (2009) na Record.

No cinema, além de outras atuações memoráveis, Emiliano integrou o elenco do filme ‘VIPs’, dirigido por Toniko Melo e produzido porFernando Meirelles.

O ator, que atualmente mora em Santa Mônica, na Califórnia (EUA), concedeu uma entrevista exclusiva ao blog, onde falou sobre a carreira no Brasil e exterior.

FOTO 04 - EMILIANO RUSCHEL no filme FOREVER NEVERMORE - Foto de Ricardo Rheingantz

 

Blog Cristiane Bortolossi: Você tem uma bela passagem pelo audiovisual, tanto no cinema, quanto na televisão. Qual desses dois veículos tem sua preferência?

Emiliano Ruschel: Difícil pergunta porque os dois são muito interessantes. Eu gosto muito dos dois veículos, eles são muito parecidos, mas bem diferentes nos detalhes… Por você contar diferentes histórias em termos de tempo e narrativa, você tem vantagens e desvantagens em termos de atuação nos dois. Na TV, você exercita muito mais seu personagem, tem como você explorá-lo de inúmeras formas, você passa por situações desde as mais diversas das cotidianas às com maior intensidade. O que é incrível! No cinema, você tem menos tempo para contar a história, então, tudo é mais no limite, você explora as sutilezas do limite. Depende muito do roteiro e dos personagens, claro. Escolho os dois.

Blog Cristiane Bortolossi: O que te levou a deixar o Brasil para atuar nos EUA?

Emiliano Ruschel: Foi a quantidade de personagens estrangeiros que fui fazendo no decorrer da carreira. O meu perfil físico sempre me deu a oportunidade de explorar as etnias, como americano, australiano, inglês, alemão, italiano, russo… Cada vez pinta coisa diferente (risos). Mas em contraponto, faltam coisas para mim no Brasil. Estão contando histórias no Brasil que meu perfil não tem muito espaço, quando tem é mais coadjuvante e participações, ou fica restrito no cara rico. Como ator, você se sente tolhido, não consegue variar. Não consigo trabalhar assim.

Blog Cristiane Bortolossi: Os caminhos em Los Angeles para um ator é mais complicado? Qual seria o maior impedimento?

Emiliano Ruschel: Acho que cada caso é um caso. Depende do perfil físico e do trabalho do ator ou da atriz. Se trabalho muito em cima da etnia, das pessoas no mercado internacional, então, se você parece russo, eles esperam que você fale russo e fale o inglês com sotaque de russo, mas que também saiba falar com o sotaque americano. Conheço uma atriz que é russa, mas tem descendência de esquimós, ela parece chinesa (risos). Ela precisa aprender a falar inglês com sotaque chinês, e chinês para começar a trabalhar. Enquanto isso, teria que falar com o sotaque americano, mas ainda não consegue, está estudando para isso. Claro que ela pode usar o russo dela em algum momento, mas geralmente é assim que o mercado funciona. Acho que a maior dificuldade é o idioma mesmo. Mas depende, como eu falei, do seu perfil.

Blog Cristiane Bortolossi: Forever Nevermore’ lhe rendeu o prêmio de melhor ator no Los Angeles Brazilian Film Festival. Esperava por isso?

Emiliano Ruschel: Quando a gente faz um trabalho, a gente não pode pensar nisso, claro que sempre há especulação por todos, da equipe aos colegas. Mas a gente nunca sabe. Depois que o filme ficou pronto, muitos que viram o trabalho me falavam que isso ia acontecer. E isso é terrível de bom de ouvir e terrível depois de segurar a ansiedade quando acontece de seu filme ser selecionado para um festival e você é indicado ao prêmio de melhor ator. Acho que aí, nesse momento, todos os indicados já são vencedores. É tão difícil de você ser um artista no Brasil, e em qualquer parte do mundo. Mas lembro da minha história, que nasci no interior do Rio Grande do Sul, sem nenhum artista na família. E você começar a trilhar um caminho que você tem que aprender tudo sozinho, sair do conforto da família e batalhar com uma mão na frente e outra atrás na cidade grande (RJ), aí você começa a dar os primeiros passos, TV, seriados, os primeiros filmes, até você chegar ao ponto de protagonizar um filme. Aí, ser selecionado. E chegar no dia da premiação do festival, você sentado ali com aquela pulga atrás da orelha… O que será que vai acontecer? É muita alegria. São anos e anos de alegrias e sofrimentos num só momento. E depois a vida continua e você está trabalhando muito mais que estava ontem.

Blog Cristiane Bortolossi: No Brasil, sua última novela foi ‘Cheias de Charme’. O personagem era irmão do Michel Teló. Você se acha realmente parecido com ele?

Emiliano Ruschel: (Risos) Olha eu não acho muito, mas a verdade é que quando a gente se conheceu no Projac o pessoal que trabalha com ele falava pra gente, ali no camarim, que eu era mais parecido com o Michel do que os próprios irmãos dele… (risos) Foi muito bacana conhecê-lo e trabalhar com ele, muito parceiro, gente boa, humilde. Toda a turma que trabalha com ele também é show de bola. Foi muito bacana.

Blog Cristiane Bortolossi: Existe algum personagem ou obra que você ainda não tenha interpretado, mas é seu foco?

Emiliano Ruschel: Tanta coisa. Não sei nem por onde começar… (risos) Tem alguns personagens do teatro que adoraria trabalhar no cinema, adaptar para o português ou agora fazer aqui nos EUA, como Shakespeare, Gogol, Dostoievski.

Blog Cristiane Bortolossi: O que é fundamental, na sua opinião, na carreira do ator?

Emiliano Ruschel: Estudo. Comprometimento. Persistência. Humildade. Quem pensa que é só ser famoso, que não precisa estudar… Olha, é tanta coisa… E você não para nunca. Ser ator é ser comprometido com sua vocação. É um ato religioso. É uma pena que alguns colegas valorizem a celebridade e que os meios de comunicação deem importância para coisas e momentos insignificantes que não acrescentam em nada para a sociedade. O trabalho do ator é contribuir para o registro da cultura, das histórias que ele participa e ajuda a contar, conseguindo tocar o outro e juntos transformarmos o mundo num lugar melhor, mais justo e feliz. E a pessoa que publica deve dar o exemplo. Como o jornalista, como os políticos. Como todos os cidadãos de bem.

Blog Cristiane Bortolossi: Qual seria a mensagem que você deixaria para quem está na busca de um lugar ao sol na carreira?

Emiliano Ruschel: Não seja ator. Mas se você não conseguir pensar em outra coisa, não conseguir viver sem atuar, sem participar dessa alquimia de contar histórias, então, entregue-se de corpo e alma e preparasse para passar por alguns sacrifícios. É árdua a carreira e o dinheiro nem sempre vem para todos. É preciso que a recompensa seja emocional, seja na sua alma. Aí, com a consciência tranquila, você segue em frente sabendo que está em paz com você mesmo. Sempre recorro ao pensador Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida.”

Blog Cristiane Bortolossi: E o conselho para o ator que pretende se embrenhar pela Califórnia?

Emiliano Ruschel: Planeje. Não venha até estar muito bem preparado. Com o visto correto. E com muita energia para enfrentar a batalha do idioma. E depende muito também do seu perfil e que tipo de trabalho você quer fazer aqui. Existe espaço para todos, mas aqui é Hollywood, é a maior competição de atores do mundo. Todos aqui são atores, todos os garçons. Verdade, às vezes, um dos garçons é roteirista (risos). Harrison Ford, americano veio para Los Angeles com 24 anos, e só ao 34 ele conseguiu começar a viver do trabalho de ator, foi até carpinteiro. E falou em uma de suas entrevistas que o segredo dele foi silenciosamente persistir enquanto a maioria dos seus amigos e colegas iam embora.

Blog Cristiane Bortolossi: Quais são seus próximos projetos para 2015?

Emiliano Ruschel: Atualmente, nós estamos filmando uma seriado chamado “Alesia”, uma série que irá ao ar no início de 2015. Emiliano estrela como um ex-fuzileiro naval agora recluso nas montanhas, mas será recrutado pelo DEA para investigar o sequestro de uma mulher na Alemanha. Mais informações no site:http://www.alesiatheseries.com. No cinema, o filme “Nova Era”, uma coprodução Brasil e EUA, no qual interpreto o personagem central, George, CEO da Cybermind, empresa criadora da tecnologia de viagem neural. George encara um sério problema – o maior laboratório de testes da Cybermind no Japão foi avariado por uma bomba eletromagnética e ele tem apenas mais algumas horas para concluir o módulo, salvar sua esposa e seu filho, e salvar a “nova era”.

 

Saiba mais sobre o ator Emiliano Ruschel no sitehttp://www.emilianoruschel.com.

 

Por: ALEXANDRE NOVASKI

 

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