IGOR RODRIGUEZ: LUZ, CÂMERA, AÇÃO!

 

 

IGOR RODRIGUEZ...

 IGOR RODRIGUEZ: LUZ, CÂMERA, AÇÃO!

FILMAGEM DO 'STUDIO 251' IGOR RODRIGUEZ e EQUIPE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ele iniciou a carreira como ator, mas o destino o levou para os bastidores. Hoje, Igor Rodriguez (27) comanda uma produtora que também é agência, e ainda se prepara para lançar seu primeiro longa-metragem. Num bate-papo descontraído, ele fala dessa transição, das dificuldades da profissão e de seus projetos para 2015.

IGOR RODRIGUEZ.. IGOR RODRIGUEZ

 

 

 

 

Blog Cris Bortolossi: Você iniciou a carreira como ator. Hoje faz um excelente trabalho como diretor. O que te levou a ir para os bastidores?

Igor Rodriguez: Eu descobri com o tempo que não conseguiria conviver com o estilo de vida de um ator, que ora está com trabalho, ora está ocioso. Da massa de artistas que hoje vivem no Rio, poucos são os que verdadeiramente conseguem sobreviver somente com a atuação. É muito desgaste para pouco ou nenhum retorno. Por muito tempo eu me dediquei à atuação porque justamente tinha a ajuda da minha família, sabendo que se por ventura o trabalho que estava envolvido não me desse retorno financeiro, eu teria uma segurança morando com a minha mãe. E por maior que fosse o amor pelos palcos e o prazer de estar na frente das câmeras, a insegurança de um dia ficar sem chão me fez ir em busca de um plano B.

Blog Cris Bortolossi: ‘Studio 251’ é seu primeiro longa-metragem. Deu muito trabalho produzi-lo?

Igor Rodriguez: Ainda está dando (risos). E sendo bem sincero, está dando muito trabalho porque eu resolvi fazer o caminho inverso do tradicional. As pessoas que tem o sonho de trabalhar com cinema, primeiro começam a estudar, entram numa faculdade, vão se especializando, depois rodam um curta experimental, depois um curta com mais produção, e depois de vários trabalhos tomam coragem para assinar um longa-metragem. Eu resolvi fazer o contrário. Escolhi começar pelo mais difícil logo de cara. Mas não por uma ideia maluca. Resolvi começar dessa forma porque trabalho com fotografia e filmagem há 6 anos e dou aulas de interpretação há pelo menos dois. Então a experiência na direção de atores eu já trazia comigo, o que é imprescindível. Também já havia participado de outros filmes como ator, tinha o conhecimento do todo o processo de produção, então quando eu tive a ideia do roteiro, pensei: Por que não?! Tenho o equipamento, tenho os profissionais experientes comigo, posso convidar outros que precise durante o processo… então resolvi começar. Eu tinha certeza que muitas coisas eu quebraria a cabeça, pela falta de experiência com uma produção desse tamanho, mas virou um desafio pra mim. E graças à Deus eu levei essa ideia adiante, porque estamos agora na reta final das filmagens e o resultado está ficando impressionante. Uma produção totalmente independente, sem qualquer espécie de apoio ou patrocínio, toda custeada pela minha produtora, mas ainda assim, com uma qualidade incrível. Foi a prova real de que é possível sim levantar uma produção com muito pouco e fazer um trabalho lindo.

Blog Cris Bortolossi: O filme teve tomadas no Chile. Foi difícil rodar as cenas em meio à neve?

Igor Rodriguez: Foi outro desafio. E essas foram as primeiras cenas a serem filmadas. Não tínhamos grana pra levar todos os profissionais que eu precisava na viagem, então tive que me adaptar. Eu próprio decidi pegar a câmera na mão e enquanto dirigia os atores, fazia as tomadas. A dificuldade estava justamente em fazer sozinho o trabalho que seria de pelo menos três pessoas. Enquanto dirigia os atores, precisava olhar a câmera que estava toda encapada para proteger da neve, acertava o foco, me preocupava com o áudio, e ia testando. E cenas de ação na neve só podiam ser rodadas uma única vez, porque enquanto os atores estavam de esqui, eu andava à pé. Ou seja, o trajeto que eles faziam em 2 minutos, eu levava quase 30 apenas para levar a câmera de um lugar para outro. Mas no fim, deu tudo certo. Conseguimos imagens lindas, que vão impressionar na tela de cinema.

Blog Cris Bortolossi: Qual foi a cena mais difícil de ser rodada?

Igor Rodriguez: Sem dúvida a cena do desfile, uma das finais que aconteceu numa casa enorme no Recreio. Eram mais de 50 pessoas no set, entre atores, figurantes, participações especiais e equipe técnica. Contratamos uma equipe de som e iluminação que ficou à nossa disposição um dia inteiro, numa filmagem que foi de 8h às 3h da manhã do dia seguinte. Quando eu tive que usar um microfone pra galera me ouvir é que eu percebi o tamanho que essa produção acabou tomando (risos). Organizar, dirigir e produzir essa galera não foi fácil, mas sem dúvida nenhuma foi muito prazeroso.

Blog Cris Bortolossi: Agora com as últimas cenas rodadas, quais são os próximos passos?

Igor Rodriguez: Aí entramos na etapa de edição. Reunir os mais de 150 GB de material bruto pra começar a decupagem. Acredito que no total terão sido cerca de 40 dias de filmagem divididos em 9 meses de produção, então vocês podem ter ideia da quantidade de material. Esperamos levar dois meses no máximo para essa edição e tratamento de imagem, para então fechar a data de exibição e convidar todos pra estreia.

Blog Cris Bortolossi: A estreia está prevista para quando?

Igor Rodriguez: Seguindo nosso cronograma, a edição irá até março, então a exibição ocorrerá nos meados de Abril. Já estamos em negociação com duas salas de cinema, mas ainda não fechamos. Mas posso adiantar que faremos a estreia no Rio, na Zona Sul, e logo após estrearemos em São Paulo, capital. Mas não temos datas fechadas ainda.

Blog Cris Bortolossi: A Gypsy, sua empresa, também trabalha com a preparação de atores. Como é a reação dos novatos quando se deparam com a realidade da profissão, geralmente com muito trabalho e pouco glamour?

Igor Rodriguez: Muitos se encantam, alguns insistem e pouquíssimos levam adiante. Realmente a maioria dos jovens têm a ilusão de que ser ator é aprender a ser natural no vídeo, fazer teste pra Malhação e dar autógrafo no shopping. Quando eles vão descobrindo as primeiras dificuldades, muitos já ficam desanimados. Aí é questão de tempo pra eles entenderem que não havia o sonho de ser ator, e sim o de ser famoso e se destacar entre o grupo da escola. Mas o tempo mostra que existem outras mil formas de cada um se destacar, né?

Blog Cris Bortolossi:  Suas fotos já estamparam inúmeras revistas. Existe aquela em especial que você guarda até hoje?

Igor Rodriguez: Tenho algumas capas que eu gostei muito de fazer para revistas do Rio e SP, Região dos Lagos.. mas o que me trouxe mais prazer foi fotografar para a Revista CARAS a confraternização do elenco da novela Fina Estampa, na casa do diretor Wolf Maya. Foi um trabalho que me trouxe muito orgulho de fazer e que ao mesmo tempo me proporcionou a oportunidade de conhecer e ficar amigo de diversos atores e produtores.

Blog Cris Bortolossi: Além de produzir filmes, fotos e preparar atores, em que outras vertentes a Gypsy atua no mercado do audiovisual?

Igor Rodriguez: Além desse trabalho focado para o mercado artístico, atendo também empresas de outros segmentos com produção de vídeos institucionais, ações de marketing na internet e propagandas virais para as redes sociais. Estamos finalizando a edição de um comercial para a empresa X-tire, que rodamos no fim do ano passado sobre blindagem de pneus, que deve entrar nos trailers dos filmes em salas de cinema do Rio ainda nesse semestre.

Blog Cris Bortolossi: O que é mais trabalhoso: preparar atores mirins ou adolescentes?

Igor Rodriguez: É mais trabalhoso preparar atores que não se entregam, independente da idade. Já tive alunos de 6 anos que me emocionaram e diversos de 15 que levei seis meses para arrancar um sorriso espontâneo. É preciso ter vocação, vontade de fazer aquilo, de brincar de ser outras muitas pessoas. Se não for confortável brincar disso, nunca vai funcionar.

Blog Cris Bortolossi: O que você diria para quem busca um lugar ao sol na profissão de ator?

Igor Rodriguez: Diria que é preciso se preparar e perder a pressa. Recebo semanalmente na produtora diversos atores que estão correndo contra o tempo para produzir um vídeobook e espalhar entre os produtores de TV sem estarem preparados. Passamos horas ensaiando um texto, e na hora de gravar, se eu peço para o ator beber um gole de água enquanto fala, por exemplo, muitas vezes todo o trabalho vai por água abaixo. Não existe concentração, prática de gravação, domínio do texto e de objetos de cena. Percebo que muitos não têm preparo nem para fazer participações. Como podem ir em busca de um papel? É preciso estudar, fazer oficinas, praticar exaustivamente, conhecer diferentes diretores, se preparar para testes. Em conversa com a produtora de elenco Ciça Castello ouvi uma frase que nunca esqueço: “Pior do que não ser visto é ser visto na hora errada”. Ou seja, não queimem seus cartuchos.

Blog Cris Bortolossi: Quais são seus projetos para 2015?

Igor Rodriguez: Nesse ano estreio esse meu primeiro longa “Studio 251”, roteiro do querido amigo Alexandre Novaski, e tenho planos de até junho expandir a produtora com uma nova estrutura preparada com cenários para oficinas de TV e Cinema. Estou finalizando minha terceira turma de interpretação agora em janeiro e também devemos produzir um curta-metragem como conclusão. E talvez, no segundo semestre, tudo correndo bem, já começo a pré-produção do próximo longa. Vamos torcer!

POR: ALEXANDRE NOVASKI

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