VIVENDO E APRENDENDO COM SÍNDROME DE DOWN

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Vivendo e aprendendo com Síndrome de Down

As pessoas que nasceram com Síndrome de Down, também conhecida como Trissomia do cromossomo 21, podem ser identificadas por suas características físicas, principalmente pela aparência facial marcada pelos olhos oblíquos, rosto arredondado, mãos menores com dedos mais curtos e orelhas pequenas. Além disso, apresentam ainda outras alterações, como comprometimento intelectual e aprendizagem mais lenta. Mas, apesar de suas limitações, podem viver em sociedade, frequentar o ambiente escolar, fazer amizades, trabalhar e formar família. Enfim, viver todas as fases normais da vida, ao seu tempo. Porém, para que sejam capazes de vencer as limitações que essa doença genética lhes impõe, é de fundamental importância que sejam estimuladas desde o nascimento.

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As maiores dificuldades que esses indivíduos enfrentam todos os dias são o preconceito e a discriminação, talvez por desconhecimento ou simplesmente por medo do diferente. Porém, quem convive com eles tem a oportunidade de conhecer sua característica mais marcante: o amor puro que expressam por aqueles que estão ao seu redor. Vou contar sobre minha experiência com um deles: Nino, um garoto feliz!

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Quando conheci o Antonino, ele era um adolescente de 18 anos portador de Síndrome de Down. A primeira vez que o vi, ele estava sentado em sua carteira na sala de aula da 8ª série de uma escola pública inclusiva (eu nem sabia direito o que isso significava e nem sabia que a escola era inclusiva). Eu era professora eventual nessa escola e essa era a primeira vez que eu entrava numa sala para dar aulas. Entrei em pânico, pois era também a primeira vez que eu teria contato direto com alguém com necessidades especiais. Então, para minha surpresa, ele veio em minha direção e disse: oi, “pofssora”! Quase caí dura quando ele me abraçou, nem sei como consegui continuar. Foi um sufoco! Um aluno notou meu constrangimento e veio em meu socorro. Apresentou o garoto assim: Este é o Nino. Ele é muito legal. A senhora vai gostar dele.

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Durante toda a aula evitei olhar para ele. Não sabia como agir. Quando a aula terminou, Nino pediu para me dar um beijo. Gelei, mas consenti. A partir desse dia, sempre que ia à sua sala, ele falava: “Oi, ‘pofssora’!”, então se levantava, me abraçava e me beijava carinhosamente.

Com o tempo, descobri sua história. Quando ele nasceu, sua mãe já tinha 48 anos e seu pai 55. Ele não tinha irmãos, talvez por isso gostasse tanto da escola. Sua mãe, desde que ele era muito pequeno levava-o a todos os lugares, sem se importar com a reação das pessoas. Ele sempre freqüentou a escola, desde a creche, junto com as crianças ditas “normais”. Sua mãe fazia questão que ele tentasse ser o mais normal que conseguisse. E ele era. Ele costumava dizer: “Minha mãe é minha fã!”.

Se não fosse pelas características específicas do portador da Síndrome de Down, o máximo que se poderia dizer é que ele era mais lento do que os outros alunos. Outra característica dele: gostava de ajudar os outros. Quando caia algo no chão, corria para pegar e devolver ao dono. Também gostava de apagar a lousa e fazer desenhos nela. E queria fazer sempre todas as lições, e fazia, lentamente, quando não conseguia, pedia para entregar depois (geralmente acabava esquecendo), sempre com um sorriso. A letra dele era feia, mas ele sempre perguntava: Tá bonito, “pofssora”?

A sala toda gostava dele e ria muito com ele, porque quando ele queria fazer alguma coisa rápido e não conseguia, tropeçava e caía, então ria, e ria. Ele gostava de rir. E a sala ria com ele e eu, confesso, ria também.

Eu me acostumei com ele, e ele comigo. No final das aulas, ele ficava esperando sua mãe vir buscá-lo e, sempre que eu podia, ficava fazendo-lhe companhia e conversando. Ele era um garoto feliz e queria que todos fossem felizes. E quando se despedia, sempre dizia: Fica feliz “pofssora”! E eu ficava.

 

Cássia Maria Braga de Almeida67446_339331452867536_2085073785_n

Pedagoga, Psicopedagoga, graduada em Letras, pós-graduada em Ortografia e Texto da Língua Portuguesa e especialização em Educação Especial – DM.

 

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