S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal estreia em São Paulo

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S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal estreia em São Paulo

Falam que o brasileiro não tem memória e essa afirmação vale para a nossa cultura. Claro que existem projetos interessantes, que valorizam e resgatam a trajetória de personalidades de talento, mas a quantidade é pequena diante do número enorme de artistas que merecem atenção.

S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal é exemplo de um projeto que resgata a trajetória de um dos maiores nomes da nossa, MPB, de todos os tempos.

Depois de sucesso de público e crítica no Rio, o espetáculo faz temporada em São Paulo, no Teatro Cetip. Escrito por Nelson Motta e Patrícia Andrade, com direção de Pedro Brício, o espetáculo já foi visto por mais de 50 mil pessoas.

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Ícaro Silva é o protagonista. Thelmo Fernandes é o polêmico Carlos Imperial, amigo do artista e o narrador do espetáculo, que coloca em cena uma visão muito particular do homem e artista que foi Simonal. “

Simonal foi um cantor pop negro que cativou o público nos anos 60 com seu suingue, carisma e interpretando hits de todos os gêneros musicais, como rock, calipso, bossa nova e samba. Além de cantor, foi apresentador de programas de auditório. Conquistou uma fama estrondosa e uma excelente condição financeira ( seu sonho desde que iniciou a carreira artística).

Canções como Balanço Zona Sul (seu primeiro sucesso), Sá Marina, País Tropical e Meu limão, meu limoeiro estão entre os grandes sucessos apresentados no musical. Mesmo quem não conhece o artista, certamente já ouviu alguma dessas músicas em algum momento de sua vida.

Segundo Nelson Motta (autor de musicais biográficos de grande sucesso, Elis, a musical e Tim Maia – Vale Tudo, o musical), Simonal era um grande entertainer: ¨Contava piadas, dançava e dominava a plateia como nenhum artista do seu tempo, fazendo o Maracanãzinho lotado cantar como um coral em que ele era o maestro”, exalta .

Apesar de toda a fama, o artista morreu esquecido – em 2000. Um dos motivos foi a acusação de ter colaborado para o DOPs, órgão repressor da ditadura militar. O boato foi desmentido, mas ele nunca mais conseguiu se reerguer.

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O alcoolismo também contribuiu para a sua decadência pessoal e profissional (já nos anos 70). Simonal encerrou um contrato TV Globo, com o grupo Som Três, que o acompanhava desde o início da carreira, e fechou o escritório Simonal Produções.

De qualquer maneira, Simonal tem recebido merecidas homenagens nos últimos anos e o seu valor é, merecidamente, resgatado: Foram lançadas biografias e documentários sobre sua história, em especial Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, de 2009, dirigido por Micael Langer, Calvito Leral e Cláudio Manoel.

Entre os projetos vale destaque O Baile do Simonal ( show transformado em CD e DVD) com organização dos seus filhos, Max de Castro ( que assina os arranjos das músicas do espetáculo) e o seu irmão, Simoninha. Ambos acompanham de perto a trajetória de sucesso de S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal.

A autora Patricia Andrade opina que Simonal é um personagem universal porque a sua história de vida coloca em evidência a superação de um menino pobre, que conseguiu o sucesso que tanto almejou, mas que depois foi esquecido.

O diretor Pedro Brício expressa a mesma opinião: ¨ Fazemos um resgate do riquíssimo repertório dele, mostrando essa figura improvável, pobre, negro, que se tornou o maior astro popular do país, fazendo música de altíssima qualidade. Ele é um personagem único”, exalta.

Brício também revela, em texto enviado para a imprensa, que a peça é um importante panorama da política e sociedade brasileira da época. “Ela não apenas fala da história de um homem, mas sobre nosso país, como era nossa sociedade, não só em termos de preconceitos, mas de conflitos políticos. O que aconteceu com ele tem a ver com o período, talvez não tivesse acontecido em outro contexto histórico”.

Vale ressaltar que o musical fala das polêmicas que envolveram o artista, mas o registro não é realizado de uma maneira triste, negativa.

O diretor faz questão de afirmar que em cena é mostrada sim a decadência de Simonal, mas sem tomar partido. “Ele é um mistério, não é um herói romântico, pelo contrário. É uma figura contraditória, com múltiplas facetas, mas a peça não faz um julgamento. O espetáculo tem essa riqueza, essa multiplicidade: vai da ascensão absoluta do primeiro artista negro pop à sua total decadência”, define o diretor.

Ícaro Silva como Simonal

Ícaro Silva foi escolhido para ser o protagonista através de audições. Mais de 100 candidatos foram chamados para os testes.

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Silva ainda é jovem e não presenciou o sucesso estrondoso de Simonal, nem a sua decadência, mas assim que soube dos testes, já começou a se preparar para as audições e usou o documentário como fonte de pesquisa.

O ator conta que ficou encantado com a trajetória do Simonal e a experiência de interpretá-lo é muito gratificante. ¨Simonal é um exemplo para as novas gerações devido à sua história de vida, diz.

Nos ensaios foi orientado a não imitar o artista, mas o seu trabalho de composição do personagem é tão precioso que a sua potência vocal lembra muito a voz de Simonal, assim como o seu carisma em cena.

Apesar de jovem ( nasceu em 1987) , Ícaro tem experiência em musicais e merece destaque a sua participação em Elis, a musical, como outro grande nome da nossa MPB, Jair Rodrigues, e Rock in Rio, como Gilberto Gil.

Quem acompanha TV já deve ter visto o seu trabalho em Malhação, como Rafa. Dali, na novela Joia Rara, no seriado Batendo Ponto, no Programa Fora da Lei e na TV Globinho , entre outras realizações profissionais.

Ficha Técnica e Serviço: 

Texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade

Direção Geral: Pedro Brício

Assistente de Direção : Gustavo Wabner

Direção Musical: Alexandre Elias

Cenário: Hélio Eichbauer

Figurino: Marília Carneiro

Coreografias: Renato Vieira

Produção Geral: Luiz Oscar Niemeyer

Direção de Produção: Joana Motta

Patrocínio: Cielo

Apoio Cultural: Bolt e Taesa

Realização: Planmusic

Temporada: até 26 de julho. Teatro Cetip. Rua Coropés, 88, Pinheiros, zona oeste, São Paulo. Tel.: (11) 4003.5588. Quinta a sábado às 21h00; domingo às 19h00. Valores dos ingressos: Quinta e sexta – Plateia VIP e Plateia A – 160,00

Plateia Superior – 100,00

Plateia Superior – última fileira – 50,00

Sábado e Domingo – Plateia VIP e Plateia A – 180,00

Plateia Superior – 100,00

Plateia Superior – última fileira – 50,00

Recomendado: 12 anos. Duração: 2h40 (com intervalo). Lotação do teatro: 627 lugares. Bilheteria funciona diariamente, 12h às 20h. (em dias de espetáculo, a bilheteria funciona até o início da apresentação).

Vendas pela internet: http://premier.ticketsforfun.com.br/

Elenco:

Ícaro Silva (Simonal)

Thelmo Fernandes (Carlos Imperial)

Marina Palha (Tereza)

Gabriel Staufer (Miele/Walter Clark/ Guinsburg)

Kadu Veiga (Marcos Moran/Boscoli)

Victor Maia (Roberto Carlos/ Eduardo Araujo/ Cesar Camargo)

Marino Rocha (Jô/Boni)

Joana Penna (Elis/Jane Burkin)

Jorge Neto (Pelé/Simoninha/Zé Ary/ Jair)

Paulo Trajano (Delegado/Zagallo/ Flavio Cavalcanti)

Cássia Raquel (Sarah Vaughan)

Dennis Pinheiro (Sabá e Carlos Alberto Torres)

Lívia Guerra (Marly Tavares / imperialete)

Natasha Jascalevich  (Brigite Bardot/ Laurinha Figueiredo)

Kotoe Karasawa (apresentadora da Record)

Ariane Souza (imperialete)

 

Banda:

Alexandre Elias: guitarra

Kim Pereira: bateria

Decko Telles: baixo

Alexandre Vianna: pianista

Márcio Forte: percussão

Denilson Martins: saxofonista

Jorge: trombone

Bruno Fermiano: trompete

 

 

Por Nanda Rovere
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Historiadora e Jornalista

nandarovere@gmail.com

Fotos: Divulgação e Nanda Rovere

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