Primeiras dicas de 2016

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Espero que 2016 seja maravilhoso, com saúde, paz e realizações.

A vida cultural já está começando

macheth

Macbeth e Medida por Medida  em cartaz no SESC Vila Mariana

Os dois espetáculos estão em cartaz no mesmo teatro, em dias alternados. As duas montagens contam com o mesmo diretor, Ron Daniels, e trazem também o mesmo elenco: Ana Kutner, André Hendges, Fábio Takeo, Felipe Martins, Giulia Gam, Lourival Prudêncio, Lui Vizotto, Luisa Thiré, Marco Antônio Pâmio, Marcos Suchara, Rafael Losso, Stella de Paula, Sylvio Zilber e Thiago Lacerda.

Esses trabalhos marcam o reencontro entre Ron Daniels e o ator Thiago Lacerda, que protagonizou uma versão de Hamlet, assinada pelo diretor, e demonstrou, assim como em Calígula, com direção de Gabriel Villela, que tem talento para viver personagens complexos.

Macbeth e Medida por Medida foram escritas no final do século XVI e continuam atualíssimas. A busca desenfreada pelo poder, bem como as ações sem nenhuma preocupação com os valores éticos e morais, revelam o quanto os seres humanos têm agido de maneira repugnante no decorrer dos tempos.

Macbeth é um general corajoso e ambicioso, que faz de tudo para assumir o trono depois que videntes lhe dizem que será rei em um futuro próximo.

O general conta com a ajuda da mulher, Lady Macbeth, sem nenhum escrúpulo. Quando eles são vitoriosos, no entanto, a culpa os destrói.

Na comédia Medida por Medida, por sua vez, o clima é anárquico. O autor transformou o mundo em um bordel, onde a libertinagem corre solta.

Para tentar amenizar a situação, o Duque introduz uma antiga lei que pune todo e qualquer abuso sexual com a morte. Para ver se a lei está sendo respeitada, o governante deixa o cargo nas mãos do seu vice e se disfarça de frei.

Matéria também publicada no http://www.deolhonacena.com.br

Ficha Técnica e serviço:

Texto: William Shakespeare

Tradução: Marcos Daud e Ron Daniels

Concepção e Direção: Ron Daniels

Curadoria Artística: Ruy Cortez

Instalação cênica | Painéis: Alexandre Orion

Instalação cênica | Cenografia: André Cortez

Figurinos: Bia Salgado

Desenho de Luz: Fábio Retti

Composição e trilha original: Gregory Slivar

Diretor assistente: Gustavo Wabner

Preparação corporal e direção de movimento: Sueli Guerra

Indumentária e adereços: Alex Grilli e Ivete Dibo

Foto de cena: João Caldas

Foto do processo | Still: Adriano Fagundes

Assessoria de Imprensa | SP: Adriana Monteiro

Direção de Produção: Érica Teodoro

Produção: CIT-Ecum, TRL e Pentâmetro

 

Repertório Shakespeare, no Teatro do Sesc Vila Mariana:

De 06/01 a 31/01/2016.

Quinta a Sábado, às 21h00. Domingo, às 18h00

Macbeth – quintas-feiras e sábados, às 21h00

Medida por Medida – sextas-feiras, às 21h00 e domingo, às 18h00

Ingressos: R$ 60,00 (inteira) l R$ 30,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) e R$18,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena). Os ingressos podem ser adquiridos em todas as unidades do Sesc. Estacionamento: R$ 4,50 a primeira hora + R$ 1,50 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 10 a primeira hora + R$ 2,50 a hora adicional (outros). 200 vagas.

Sesc Vila Mariana

Rua Pelotas, 141, São Paulo – SP

Informações: 5080-3000

 

a noviça

O espetáculo A Noviça Mais Rebelde faz nova temporada no Teatro Renaissance. De 28 de novembro de 2015 a 31 de Janeiro de 2016

Na peça, o excelente ator Wilson de Santos, que também assina a criação da montagem, dá vida à Irmã Maria José, uma freira que canta, dança e conta histórias do seu passado picante para interagir com o público enquanto aguarda a chegada da Madre Superiora, que lhe prometeu um número de destaque num espetáculo beneficente.

A Irmã Maria José é uma das personagens originais do musical As Noviças Rebeldes, sucesso Off-Broadway chamado “Nunsense”, sob a direção de Wolf Maia.

O trabalho de Wilson merece elogios. Sozinho no palco, o ator diverte a platéia com as loucuras da freira.

Ficha Técnica e Serviço:

Supervisão Artística: Marcelo Médici

Trilha produzida por: Ivan Huol (músicas do original Nunsense) e Cia das Vozes (músicas imitações)

Tradução de músicas: Flávio Marinho e Wolf Maya (original Nunsense)

Figurino: Celso Werner

Cenário: Grafite – Eduardo Kobra

Cenotécnico: Estevão Nascimento

Fotos: João Caldas

Arte Gráfica: Vicente Queiroz

Produção de Vídeos: Dummy

Assessoria de Imprensa: Morente Forte

Direção de Produção: Leonardo Leal

Realização: Teatro do Riso

Teatro Renaissance (448 lugares). Al. Santos, nº 2233. Informações: (11) 3069-2286. Bilheteria de terça a domingo, das 14h às 20h. Pagamento em dinheiro e cartões. Vendas: (11) 2122-4070 e compreingressos.com. Sábados e Domingos às 18h00. Ingressos: R$ 80. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Temporada 2016: de 09 a 31 de Janeiro. Trechos da peça no youtube:http://youtu.be/HOWurerkZcE

 

Mais reestreias em 2016

http://www.deolhonacena.com.br/index.php?pg=3a2b&sub=25#linha

Cais ou da Indiferença das Embarcações – reestreia dia 16 no VIGA Espaço Cênico.

Os Estranhos que nos Habitam – Retorna dia 16 de Janeiro, aos sábados às 20h, no Espaço Parlapatões.

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Otelo – Retorna dia 20/01, às quartas e quintas no Teatro FAAP.

Um Bonde Chamado Desejo, com Maria Luisa Mendonça, Du Moscovis e elenco – de volta a partir do dia 23 de janeiro no Tucarena.

Galileu Galilei, com Denise Fraga e grande elenco – de volta dia 29 de janeiro no Teatro Tuca.

faroeste

Luz Negra, espetáculo musical da Cia. Pessoal do Faroeste

Luz Negra mistura teatro, música e cinema e traz cenas que retratam a região da Luz e a Frente Negra Brasileira em São Paulo nos anos 1930, que mostra a participação dos negros no contexto político, cultural e social da época.

Os negros são os protagonistas e formam a elite intelectual paulistana; os brancos são marginalizados socialmente.

A trama se passa após o crime do castelinho da Rua Apa, retratado no espetáculo Cine Camaleão da Cia e está ambientado num cenário formado por rádio, jornal, escola e recreativo.

As personagens são inspiradas em figuras históricas como Luiz Gama (a peça presta uma homenagem ao abolicionista), Abdias Nascimento (que criou o Teatro Experimental do Negro) e a vilã Vanda Marquetti, vivida por Mel Lisboa).

Um filme, produzido em setembro pela Cia e que mostra o apogeu da produção cinematográfica na região que ficou conhecida como Boca do Lixo, integra com o espetáculo.

Ficha Técnica:

Elenco:

Clency Santana – Benedito

Cloddoaldo Dias –Orland Claude

David Guimarães – Rubinato

Flávio Rodrigues – Abdias Nascimento

Leona Jhovs – Tinga

Mel Lisboa – Vanda Marquetti

Melvin Santhana – Zé Pretinho

Raphael Garcia – José Correa

Thais Dias – Flora Eunice

William Simplicio – Adan Smith

Dramaturgia e direção artística: Paulo Faria

Composição musical: Letras de Paulo Faria e música de Melvin Santhana, Thais Dias, William Simplício e elenco

Direção Musical e arranjos: Felipe Roseno e Michi Ruzitschka

Direção de vídeo: Dário José

Cenário: Marcos Freitas e Paulo Faria

Assistência de cenário: Cleber Cajun e David Guimarães

Cenotecnia: Marcos Freitas

Figurinos: Thais Dias e Paulo Faria

Luz: Beto Magnani

Coreografia: Verônica Santos e Paulo Faria

Criação de logo: Cleber Cajun

Fotografia: Bob Sousa e Lenise Pinheiro

Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro – Oficio das Letras

Cena de filme: “Faroeste na Rua Apa” do “Cine Camaleão”.

Atores: Beto Magnani, Juliana Fagundes, Lorena Mesquita e Roberto Leite

Este projeto também inclui o longa metragem  realizado de agosto a dezembro de 2014.

Serviço:

Estreia da segunda temporada em 30/11, segunda-feira, às 21h00. Volta ao cartaz em 18 de janeiro, segunda-feira, às 21h00. Temporada até fim de abril. Duração: 75 min. Indicação 14 anos. Sede Luz do Faroeste. Rua do Triunfo, 301, Luz, São Paulo (Metrô Luz). Telefone para informações: 11-33628883. Reserva: 3362-8883 ou reservafaroeste@gmail.com

Capacidade: 80 lugares.

Ingressos: No sistema Pague Quanto Puder (Quem chegar uma hora antes define quanto quer pagar depois de ter visto a peça). Antecipados ou reserva por R$ 40,00

(quem ligar antes para reservar lugar perde a vantagem do pague quanto puder)

 

médici

 

Mais estreias e reestreias de janeiro:

Reestreias:

CADA DOIS COM SEUS POBREMA

Escrita e interpretada por Marcelo Medici, a peça foi criada pela mesma equipe que participou de Cada Um Com Seus Pobrema. Ricardo Rathsam, que dirigiu e colaborou no texto há dez anos, agora participa como ator. Paula Cohen, que fez assistência de direção na montagem anterior, agora assina a direção. E Kleber Montanheiro continua responsável pelo cenário, iluminação e figurinos

Para saber mais:

http://www.deolhonacena.com.br/index.php?pg=3a1b&sub=10#linha

Serviço:

Local: Teatro Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 596, 7o andar – Consolação.  Temporada: de 13 de janeiro a 25 de fevereiro de 2016. Quartas e quintas às 21h. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Lotação: 600 lugares. Ingressos: R$ 70,00/R$ 35,00 e R$ 50,00/R$ 25,00. Vendas: Ingresso Rápido (11) 4003-1212 e internet: http://www.ingressorapido.com.br Bilheteria: terça a domingo das 13h até o início do espetáculo. Telefones: (11) 3472-2229 e (11) 3472–2230Não haverá espetáculo na quarta-feira de cinzas, 10/02/16

flavia garrafa

Fale mais sobre isso é um texto que discute com humor a capacidade e o desejo da MUDANÇA.

Tendo como pano de fundo o consultório de uma psicoterapeuta onde passam quatro personagens distintos, o texto discute e ou revela as angústias, dramas, dúvidas, questionamentos e o desconforto que leva cada personagem a procurar ajuda para MUDAR.

A atriz Flávia Garrafa, formada em psicologia pela USP, interpreta os cincos personagens, sob a direção de Pedro Garrafa.

Ficha Técnica  e Serviço:

Ideia Original: Pedro Vasconcelos. Texto: Flávia Garrafa. Direção: Pedro Garrafa. Assistente de direção: Kuka Annunciato. Elenco: Flávia Garrafa. Iluminador: Matheus Heck e Pedro Garrafa

Cenário: assinado pelas arquitetas Llaneli e Friedemann e móveis da Especialista. Figurino: Etiqueta Negra. Trilha Sonora: Diego Trindade. Participação especial: Kuka Annunciato

Direção de produção: Elemento Cultural – Fernanda Bianco e Guilherme Maturo

Duração: 70 minutos. Classificação Etária: acima de 14 anos

Temporada: de 30 de janeiro a 26 de março | sábados às 22 horas

Ingresso: R$ 60 inteira | R$50,00. Lotação: 305 lugares

Local: Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 – Consolação,

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FRIDA Y DIEGO

A dramaturga Maria Adelaide Amaral reestreia o espetáculo “Frida Y Diego”, no Teatro Raul Cortez, dia 7 de novembro.

A trama retrata a complexa e intensa relação dos fascinantes artistas mexicanos, Frida Kahlo e Diego Rivera, e o legado que deixaram na história da arte. A peça conta com direção de Eduardo Figueiredo, além da atriz Leona Cavalli interpretando Frida Kahlo e José Rubens Chachá como Diego Rivera.

Ficha Técnica e Serviço:

TEATRO RAUL CORTEZ –  Rua Doutor Plínio Barreto, 285 – Bela Vista –  Tel: (11) 3254-1631

Temporada: de 9 a 31 de janeiro de 2016 – Sábados às 21h | Domingos às 19h

Ingressos: Sábados e Domingos: R$ 80,00

Direção: Eduardo Figueiredo

Elenco: Leona Cavalli e José Rubens Chachá. Duração: 90minutos

Classificação indicativa: 14 anos

exposição

Para ir além do teatro:

Exposição Edmond Fortier – Viagem a Timbuktu,  montada a partir da obra da historiadora Daniela Moreau, homenageia o fotógrafo francês Edmond Fortier (1862-1928), que  viveu a maior parte da vida em Dakar, no Senegal, e clicou a elite africana e os colonos europeus no fim do século XIX

Na maior exposição dedicada ao fotógrafo já realizada, o público terá a oportunidade de conhecer a trajetória de Fortier, pouco conhecida na Europa e na África.

Viagem a Timbuktu concentra-se em um recorte notável da produção de Fortier, reunindo 200 fotografias da viagem de mais de cinco mil quilômetros que ele realizou pelo interior do continente africano no ano de 1906, em uma época em que a imposição dos regimes coloniais na África ainda era relativamente recente. O ponto culminante do trajeto foi a cidade histórica de Timbuktu, porta do Saara (na região Norte do atual Mali), à época considerada misteriosa e impenetrável pelos europeus. “Ele foi um dos primeiros profissionais a fotografar a cidade, após a ocupação francesa em 1894. Djenné, nas margens do rio Bani, a cidade mais antiga de toda a África subsaariana, também foi objeto de seus registros. As imagens conhecidas desse itinerário são testemunho único da época”, salienta Daniela.

Serviço:

Exposição ‘Edmond Fortier – Viagem a Timbuktu’.

Aberta ao público: de 26 de novembro a  24 de janeiro de 2016.

De terça a domingo, das 11h às 20h.

Onde: Instituto Tomie Ohtake.

Rua Coropés, 88, São Paulo, SP.

 

Livro – ‘Edmond Fortier – Viagem a Timbuktu’.

Autora: Daniela Moreau.

Editora: Literart.

À venda em todas as grandes livrarias do Brasil.

pinacoteca

Exposição apresenta o resultado de um curso de fotografia de nove semanas realizado na Pinacoteca para Deficientes Visuais

O projeto, coordenado por João Kulcsár, terá seus trabalhos expostos no museu a partir do dia 28 de novembro na mostra Transver.

Serão apresentados 10 trabalhos, um de cada participante, que também atuaram no processo de escolha das obras.

Os participantes, com diferentes graus de deficiência visual, aprenderam a lidar com o equipamento e a perceber o espaço a partir dos outros sentidos.

Além das fotos, haverá pranchas táteis, áudio descrições e textos em Braille. Um código QR possibilitará que os visitantes assistam aos depoimentos gravados pelos artistas participantes da mostra, tornando a exposição acessível aos diversos públicos.

Serviço:

Exposição Transver – fotografias feitas por pessoas com deficiência visual

Até 03 de abril de 2016 – Terça a domingo, 10h00 às 18h00, bilheteria até as 17h30. Sábados, entrada gratuita – Censura Livre

Pinacoteca de São Paulo

Praça da Luz, 02 – Luz – 11 3324.1000

http://www.pinacoteca.org.br

Foto de Gabriel Cardoso Foto de Gabriel Cardoso

Praça da Luz, 02 – Tel. +55 11 3324 1000

Terça a domingo das 10h00 às 17h30 com permanência até as 18h00.

manoel de barros

O poeta Manoel de Barros nasceu em Cuiabá em 19 de dezembro de 1916 e vivia em Campo Grande. Faleceu em novembro de 2014.

Cronologicamente vinculado à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, Manoel de Barros criou um universo próprio — subvertendo a sintaxe e criando construções que não respeitam as normas da língua padrão, marcado, sobretudo, por neologismos e sinestesias, sendo, inclusive, comparado a Guimarães Rosa.

Em 1986, o poeta Carlos Drummond de Andrade declarou que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo. Antonio Houaiss, um dos mais importantes filólogos e críticos brasileiros escreveu: “A poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor”. http://www.revistabula.com/

 

A namorada

Manoel de Barros

 

Havia um muro alto entre nossas casas.

Difícil de mandar recado para ela.

Não havia e-mail.

O pai era uma onça.

A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por

um cordão

E pinchava a pedra no quintal da casa dela.

Se a namorada respondesse pela mesma pedra

Era uma glória!

Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira

E então era agonia.

No tempo do onça era assim.

Texto extraído do livro “Tratado geral das grandezas do ínfimo”, Editora Record – Rio de Janeiro, 2001, pág. 17.

 

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza

do homem

é sua incompletude.

Nesse ponto

sou abastado.

Palavras que me aceitam

como sou

— eu não aceito.

Não aguento ser apenas

um sujeito que abre

portas, que puxa

válvulas, que olha o

relógio, que compra pão

às 6 da tarde, que vai

lá fora, que aponta lápis,

que vê a uva etc. etc.

Perdoai. Mas eu

preciso ser Outros.

Eu penso

renovar o homem

usando borboletas.

 

A arte de infantilizar formigas

 

Depois de ter entrado para rã, para árvore, para pedra

– meu avô começou a dar germínios.

Queria ter filhos com uma árvore.

Sonhava de pegar um casal de lobisomem para ir

vender na cidade.

Meu avô ampliava a solidão.

No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do

quintal : Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra

dentro.

Um lagarto atravessou meu olho e entrou para o mato.

Se diz que o lagarto entrou nas folhas, que folhou.

Aí a nossa mãe deu entidade pessoal ao dia.

Ela deu ser ao dia,

e ele envelheceu como um homem envelhece.

Talvez fosse a maneira

que a mãe encontrou para aumentar

as pessoas daquele lugar

que era lacuna de gente.

 

Boa diversão!

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