Chegou o dia das dicas culturais da Nanda Rovere

fim de jogo 4 (1)Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas no clássico Fim de Jogo, de Samuel Beckett, com direção de Isabel Teixeira, em 14 de janeiro de 2016

A peça é encenada no apartamento de Renato Borghi, onde o ator reside desde 1957, localizado na Avenida Paulista.

A montagem celebra os 20 anos de atividades ininterruptas do Teatro Promíscuo, companhia nascida da parceria entre os atores Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas.

Um privilégio acompanhar a carreira de Borghi, um dos nossos grandes atores (são 57 anos de dedicação ao teatro!), e a trajetória do Teatro Promíscuo.

Um excelente espetáculo, que prende a atenção e sem deixar de colocar em cena a vida sem perspectivas dos personagens, tem humor e ritmo

Isabel Teixeira guia os atores com competência, com movimentações que contribuem para que as cenas não fiquem monótonas e posibilita que os atores estabeleçam entre si um jogo instigante.

Bom, não preciso escrever aqui a importância do Renato para o nosso teatro. Um grande mestre! Vê-lo atuando é um privilégio, um aprendizado! Ele é Élcio estão no mesmo nível de entrega, de energia.


Um espetáculo IMPERDÍVEL!

 

Sinopse

O velho Hamm (Renato Borghi) está cego e paralítico, Clov (Elcio Nogueira Seixas) não pode sentar-se, Nagg (Adriano Borghi) e Nell (Maria de Castro Borghi), pais de Hamm, também tem limitações.

Todos habitam o mesmo lugar e são refugiados de uma terra devastada que Clov espia com uma luneta através de pequenas janelas. Não sabemos onde fica esse lugar, nem o motivo de tanta destruição. O que vale ali é somente a luta pela sobrevivência, porque não há mais esperança.

Temporada até 28 de fevereiro de 2016, sempre de quinta a domingo, às 20h00. Os ingressos gratuitos devem ser retirados com uma hora de antecedência no Itaú Cultural. Endereço de saída e retirada de ingressos: Av. Paulista, 149. Tel: (11) 2168-1777. Capacidade: 30 lugares. Duração: 1h45min

 

Leiam entrevista publicada no De olho na cena:

Borghi falou em nome da equipe criativa e agradeço muito a atenção. Que honra!
Renato, Élcio, Isabel, Adriana Monteiro, muito obrigada!

http://www.deolhonacena.com.br/index.php?pg=3a2b&sub=29#linha

 

mané gostoso (1)

O Ballet Stagium faz apresentações gratuitas com o espetáculo Mané Gostoso, que homenageia o pernambucano Luiz Gonzaga. As músicas foram gravadas especialmente para o espetáculo (pelo conjunto pernambucano Quinteto Violado).

Na trilha sonora, destaque para Assum Preto (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga), P’ronde Tu Vai Luiz? (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), Asa Branca (Luíza Gonzaga e Humberto Teixeira). A coreografia e os arranjos do Quinteto Violado fazem uma leitura contemporânea dessas músicas imortalizadas por Luiz Gonzaga.

O objetivo é misturar o popular e o erudito e realizar uma leitura moderna da cultura popular do Nordeste nesse trabalho que estreou em 2007.

Curiosidade: O título faz uma alusão ao boneco feito em madeira – brinquedo infantil típico das feiras nordestinas – e que tem pernas e braços movimentados por meio de cordões.

“São momentos de intensa atividade musical e de coreografias vigorosas”, conta Marika Gidali. “Achamos por bem unir esses dois grupos, o Ballet Stagium e o Quinteto Violado, que têm dado continuidade a trabalhos significativos em prol da dança e da música brasileiras”, complementa Décio Otero.

A companhia Ballet Stagium completa 45 anos de atividade. Marika Gidali e Décio Otero são os fundadores e assinam as direções.

Ficha Técnica e Serviço:

Coreografia: Décio Otero.

Direção Teatral: Marika Gidali.

Criação de Luz: Décio Otero e Edgard Duprat.

Trilha gravada: Quinteto Violado

Sonoplastia: Marcelo Aharon Jannuzzi.

Figurinos e Cenário: Márcio Tadeu.

Produção: Fabio Villardi.

Fotografia: Arnaldo J G Torres.

Elenco: Ariadne Okuyama, Camila Lacerda, Eduardo Mascheti, Eugenio Gidali, John Santos, Márcia Freire, Paula Perillo, Bruno Fortunato, Roberta Silva, Cristiano Souza e Marcos Palmeira

Local: CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 – Centro)

Data: 19 a 28 de fevereiro de 2016, sexta-feira a domingo

Hora: Sexta e sábado às 19h15, domingo às 18h.

Informações: (11) 3321-4400

Classificação indicativa: livre

Capacidade:80 lugares

Duração: 1 hora

Entrada franca (ingressos distribuídos uma hora antes do espetáculo, limitado a um par por pessoa)

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: Caixa Econômica Federa

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Espetáculo marca a união da Companhia ARTERA de Teatro e a Cia. Provisório-Definitivo

A peça, de Davey Anderson, fala de traumas e medos através de um assunto delicado e pertinente: conta a história de Stevie, um garoto portador da síndrome de Asperger, que sofre com a ausência do seu pai e não consegue viver em sociedade.

“A síndrome de Asperger é assim uma grande peculiaridade da personagem para mostrar o que a sociedade tem dificuldade de admitir: diferença e a diversidade fazem parte do humano. Por portar uma doença, por pensar ou sentir desta ou daquela maneira, pelas escolhas que são feitas, e, apesar das semelhanças, não existe um ser humano igual ao outro. Exaltar a beleza e importância disso é um dos motores desse projeto, tanto para a Companhia ARTERA de Teatro, quanto para a Cia. Provisório-Definitivo”, comenta a atriz Paula Arruda.

A encenação mistura a linguagem teatral e cinematográfica, utilizando elementos épicos e dramáticos. O objetivo dos grupos é colocar em discussão a individualidade humana e mostrar que dependemos uns dos outros, salientando a importância da convivência.

De acordo com Ricardo Corrêa, da Cia ARTERA de Teatro, as dificuldades vividas pelo protagonista são as mesmas de todos nós: “Acredito que a peça seja uma saga a respeito das diferenças e um apelo à alteridade.”

Matéria publicada no site De olho na cena

Ficha Técnica e Serviço:

Texto: Davey Anderson.

Tradução: Caio Badner.

Direção: Carlos Baldim.

Elenco: Andrea Tedesco, Anna Cecilia Junqueira, Paula Arruda, Pedro Guilherme, Ricardo Corrêa.

Vídeo design: Zeca Rodrigues.

Figurino: Maitê Chasseraux.

Iluminação: Fran Barros.

Música original: Dan Maia.

Cenário: Cesar Resende de Santana (Basquiat) e Carlos Baldim. Assistência de direção: Mariana Leme.

Assistência de vídeo: Nanda Cipola.

Fotos: Renato Peixoto.

Programação visual: Ana Leo.

Produção: Paula Arruda e Pedro Guilherme. Realização: Cia. Artera e Cia. Provisório Definitivo

Viga Espaço Cênico: Rua Capote Valente, 1323, Pinheiros.

Temporada 1: de 27 de janeiro a 11 de fevereiro – quartas e quintas às 21h00.

Temporada 2: de 20 de fevereiro a 28 de março – sábados às 21h00, domingos às 19h00 e segundas às 21h00.

Duração: 80 minutos

Valor dos ingressos: R$ 20,00

Tudo no Seu Tempo -Gustavo Trestini, Cynthia Falabella, Joca Andreazza -foto Ligia Jardim -2b

Tudo no Seu Tempo

A história de Tudo no Seu Tempo, do autor inglês Alan Ayckbourn, começa em 2036, quando uma garota de programa foge de um psicopata e surpreendentemente vai parar em 2016. A ação acontece num quarto de hotel.

Apesar dos vinte anos de diferença, a moça está no mesmo local e continua a ser perseguida. A ação acontece num quarto de hotel, no presente, passado e futuro.

A peça, inédita no Brasil, pretende falar da força da mulher e a inspiração para a obra veio de filmes como De Volta Para o Futuro (de Robert Zemeckis) e Psicose (de Alfred Hitchcock).

Segundo o diretor Eduardo Muniz, a montagem coloca em evidência a força da mulher e se caracteriza como uma espécie de thriller policial, com mistura de gêneros e suspense, mas sem deixar de lado o humor.

“Na peça, as mulheres representam o encontro da razão com o coração: diante da trama de assassinato e da possibilidade de mudar o desfecho da história, elas ganham força e coragem, e o resultado aparece de forma potente”, reflete o diretor.

A idéia do projeto é de Eduardo Muniz, que se apaixonou pela obra de Alan Ayckbourn, há 10 anos, desde que viu uma montagem de Pessoas Absurdas em Nova York.

 

Ficha Técnica e Serviço:

Texto: Alan Ayckbourn

Tradução: Eduardo Muniz e Alexandre Tenório

Direção: Eduardo Muniz

Elenco: Cynthia Falabella, Fernanda Couto, Joca Andreazza, Edu Guimarães, Bete Correia e Gustavo Trestini.

Iluminação: Domingos Quintiliano

Cenário: Chris Aizner

Figurino: Alice Alves

Música original e trilha sonora: Daniel Maia

Programação visual: Marcelo cordeiro – Estúdio Bogari

Direção de produção: Carlos Mamberti

Produção executiva: Daniel Palmeira

Coordenação financeira: Cleo Chaves

Assessoria de Imprensa: Verbena Comunicação

Realização: Mamberti Produções & Ananda Produções

Teatro Jaraguá – Novotel Jaraguá

Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista/SP – Telefone: (11) 3255-4380

Temporada: sexta (21h30), sábado (21 horas) e domingo (19 horas) – Até 20/03

Ingressos: R$ 50,00 (meia R$ 25,00)

Bilheteria: terça a quinta (16h00-19h00), sexta e sábado (após 16h00) e domingo (após 15h00) – Aceita todos os cartões de crédito/débito.

Duração: 105 min. Gênero: comédia dramática. Indicação de idade: 14 anos.

Ingressos antecipados: http://www.ingressorapido.com.br (tel: 4003-1212).

Acesso universal – Ar condicionado – Estacionamento c/ manobrista: R$ 30,00.

Matéria publicada no site De olho na cena

Site: http://www.mamberti.com.br/jaragua/

fortes batidas (1)

Fortes Batidas faz nova temporada no SESC Santo Amaro

Atores e público estão juntos numa pista de dança e o objetivo é retratar o cotidiano dos jovens

Em cena, estão 15 jovens atores que foram escolhidos num amplo processo de seleção e a equipe de criação também envolve novos dramaturgos e diretores.

Na balada, jovens dançam, namoram, se divertem e bebem muito. Eles tentam driblar a solidão, num emaranhado de emoções.

O som é alto e o público acompanha diferentes histórias que falam sobre homofobia e intolerância sexual: amigos apostam quem consegue ficar com mais meninas, um casal testa o relacionamento aberto e um rapaz tímido fica com alguém do mesmo sexo pela primeira vez.

A homofobia e intolerância sexual estão no centro do alvo dessas “Fortes Batidas”.

Fortes Batidas recebeu os prêmios APCA de “Melhor Espetáculo em Espaço não Convencional” e o “Prêmio Especial” do Prêmio São Paulo pela experimentação de linguagem.

Sobre o Teatro Imersivo – A experiência deteatro imersivo tem se espalhado pelo mundo todo com grandes êxitos, como “Sleep no More” e “Fuerza Bruta”, e aqui no Brasil a experiência do Teatro da Vertigem.

O diretor, Pedro Granato, pesquisou essa vertente no Lincoln Center em Nova Iorque, em 2014, com diretores do mundo todo, dentro do Directors LAB, e construiu um espetáculo que aproxima a nova geração do teatro.

Ficha Técnica e Serviço:

Direção e dramaturgia: Pedro Granato.

Cenário: Diego Dac Assistente de direção e Iluminação: Gabriel Tavares DJ: Pedro Augusto Monteiro

Coreógrafa: Inês Bushatsky

Assistentes de dramaturgia: Manuela Pereira e Natália Xavier Figurino: Bárbara Sagarbi e Jade Marinera Produção: Victoria Martinez

Assistente de Produção: Larissa Janotti

Atores: Ariel Rodrigues, Bárbara Sagarbi, Beatriz Silvei­ra, Bianca Lopresti, Eduardo Scudeler, Felipe Aidar, Fernando Vilela, Gabriela Andrade, Ga­briela Gama, Gal Goldwaser, Inês Bushatsky, Ingrid Man­tovan, Laura Vicente, Lucas Oranmian, Mateus Fávero, Mateus Menoni e Maurício Ma­chado.

Temporada de 29 de janeiro a 21 de fevereiro

Sexta e sábado 20h, domingo 18h00

(excepcionalmente Domingo dia 7 de fevereiro às 19h00)

SESC Santo Amaro – Espaço das Artes

Lotação: 80 lugares

R$ 20,00. R$ 10,00 (meia : pessoa com 60 anos ou mais, servidor de escola pública com comprovante, pessoa com deficiência, aposentados e estudantes com comprovante). R$ 6,00 (trabalhador do comércio, de bens, serviços, turismo e dependentes matriculados no Sesc).

Venda online: http://www.sescsp.org.br

SESC SANTO AMARO – Rua Amador Bueno, 505 – Santo Amaro. Telefone: (11) 5541-4000.

Horário de atendimento bilheteria: Terça a sexta-feira, das 10 às 21 horas e sábado, domingo e feriado, das 10 às 18h30.

Obs: O Estacionamento e a bilheteria permanecem abertos de acordo com o horário das programações

Estacionamento – Subsolo – 180 veículos, 34 vagas para motos (preço especial para shows: R$5,50 p/ comerciários e R$11 p/ não comerciários e 35 vagas no bicicletário (grátis).

Observação: as motos pagam taxa equivalente aos veículos.

página da peça: http://www.facebook.com/fortesbatidas

teaser da peça: https://vimeo.com/124357973

bisa

Para ir além do teatro:

Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado, é voltado para o público infanto-juvenil.

De uma maneira emocionante, a obra mostra a relação da garota Isabel com sua bisavó Bia, que conheceu em um retrato de quando ela era pequena.

Isabel encontra a foto de sua bisavó e a partir dessa descoberta começa a valorizar a sua história e a de sua família, além de valorizar, claro, o amor familiar.

SINOPSE

A menina Bel encontra um dia uma foto de sua bisavó Bel entre as coisas de sua mãe. A partir daí, ela inicia uma relação de muitas descobertas com essa pessoa tão importante na vida de sua família e na sua própria. Até que surge uma menina inesperada. Uma relação de amizade e troca, capaz de emocionar a todos.

http://www.unilago.com.br/download/arquivos/20996/Bisa_Bia,_Bisa_Bel_-_Ana_Maria_Machado.pdf

www.anamariamachado.com

http://www4.moderna.com.br/pnld2011/download/complementacao_pedagogica/portugues/bisa_bia_bisa_bel.pdf

rimbaud

Seleção – Poemas de Arthur Rimbaud

 

Minha boêmia

(Fantasia)

Lá ia eu, de mãos nos bolsos descosidos;

Meu paletó também tornava-se ideal;

Sob o céu, Musa, eu fui teu súdito leal,

Puxa vida! a sonhar amores destemidos!

 

O meu único par de calças tinha furos.

– Pequeno Polegar do sonho ao meu redor

Rimas espalho. Albergo-me à Ursa Maior.

– Os meus astros no céu rangem frêmitos puros.

 

Sentado, eu os ouvia, à beira do caminho,

Nas noites de setembro, onde senti qual vinho

O orvalho a rorejar-me a fronte em comoção;

 

Onde, rimando em meio a imensidões fantásticas,

Eu tomava, qual lira, as botinas elásticas

E tangia um dos pés junto ao meu coração!

 

 

A eternidade

Achada, é verdade?

Quem? A Eternidade.

É o mar que se evade

Com o sol à tarde.

 

Alma sentinela

Murmura teu rogo

De noite tão nula

E um dia de fogo.

 

A humanos sufrágios,

E impulsos comuns

Que então te avantajes

E voes segundo…

 

Pois que apenas delas,

Brasas de cetim,

O Dever se exala

Sem dizer-se: enfim.

 

Nada de esperança,

E nenhum oriétur.

Ciência em paciência,

Só o suplício é certo.

 

Achada, é verdade?

Quem? A Eternidade.

É o mar que se evade

Com o sol à tarde.

 

Romance

I

Não se pode ser sério aos dezessete anos.

– Um dia, dá-se adeus ao chope e à limonada,

À bulha dos cafés de lustres suburbanos!

– E vai-se sob a verde aléia de uma estrada.

 

O quente odor da tília a tarde quente invade!

Tão puro e doce é o ar, que a pálpebra se arqueja;

De vozes prenhe, o vento – ao pé vê-se a cidade, –

Tem perfumes de vinha e cheiros de cerveja…

 

II

– Eis que então se percebe uma pequena tira

De azul escuro, em meio à ramaria franca,

Picotada por uma estrela má, que expira

Em doce tremular, muito pequena e branca.

 

Noite estival! A idade! – A gente se inebria;

A seiva sobe em nós como um champanhe inquieto…

Divaga-se; e no lábio um beijo se anuncia,

A palpitar ali como um pequeno inseto…

 

III

 

O peito Robinsona em clima de romance,

Quando – na palidez da luz de um poste, vai

Passando uma gentil mocinha, mas no alcance

Do colarinho duro e assustador do pai…

 

E como está te achando imensamente alheio,

Fazendo estrepitar as pequenas botinas,

Ela se vira, alerta, em rápido meneio…

– Em teus lábios então soluçam cavatinas…

IV

Estás apaixonado. Até o mês de agosto.

Fisgado. – Ela com teus sonetos se diverte.

Os amigos se vão: és tipo de mau gosto.

– Um dia, a amada enfim se digna de escrever-te!…

 

Nesse dia, ah! meu Deus… – com teus ares ufanos,

Regressas aos cafés, ao chope, à limonada…

– Não se pode ser sério aos dezessete anos

Quando a tília perfuma as aléias da estrada.

 

Poemas do livro “Poesia Completa”, de Arthur Rimbaud (tradução de Ivo Barroso), editora Topbooks.

 

Canção da Torre Mais Alta

Mocidade presa

A tudo oprimida

Por delicadeza

Eu perdi a vida.

Ah! Que o tempo venha

Em que a alma se empenha.

 

Eu me disse: cessa,

Que ninguém te veja:

E sem a promessa

De algum bem que seja.

A ti só aspiro

Augusto retiro.

 

Tamanha paciência

Não me hei de esquecer.

Temor e dolência,

Aos céus fiz erguer.

E esta sede estranha

A ofuscar-me a entranha.

 

Qual o Prado imenso

Condenado a olvido,

Que cresce florido

De joio e de incenso

Ao feroz zunzum das

Moscas imundas.

 

Flores

De um pequeno degrau dourado -, entre os cordões

de seda, os cinzentos véus de gaze, os veludos verdes

e os discos de cristal que enegrecem como bronze

ao sol -, vejo a digital abrir-se sobre um tapete de filigranas

de prata, de olhos e de cabeleiras.

 

Peças de ouro amarelo espalhadas sobre a ágata, pilastras

de mogno sustentando uma cúpula de esmeraldas,

buquês de cetim branco e de finas varas de rubis

rodeiam a rosa d’água.

 

Como um deus de enormes olhos azuis e de formas

de neve, o mar e o céu atraem aos terraços de mármore

a multidão das rosas fortes e jovens.

Nascido em Charleville, em Outubro de 1854, Arthur Rimbaud foi um poeta precoce, tendo escrito o essencial da sua obra dos 16 aos 19 anos. Mais de um século depois, a obra desse adolescente que proclamou a necessidade de «se ser absolutamente moderno», continua a impressionar pelo carácter original das visões, a intensidade de expressão, a exploração dos limites da linguagem e um decidido anseio de absoluto.

Ao completar 17 anos, muda-se para Paris com o apoio do poeta Paul Verlaine. Rimbaud tinha enviado sua obra “Soneto de Vogais” para Verlaine, que, um ano depois, deixa a família e começa a viver junto de Rimbaud em Londres. A relação de amor e ódio entre os dois chega ao fim quando Rimbaud é ferido por Verlaine com uma bala no pulso.

Um dos apreciadores da obra de Rimbaud foi Henry Miller, escritor americano subversivo dos anos 30 que também viveu em Paris. Outro apreciador da poesia de Rimbaud foi Paulo Leminski. Para ele, o jovem francês Rimbaud “pasmou os contemporâneos com sua precocidade poética”

http://www.infoescola.com/biografias/arthur-rimbaud/

http://www.travessa.com.br/O_RAPAZ_RARO_ILUMINACOES_E_POEMAS/artigo/a32b82dc-02b1-4418-80e2-b8301f6c5b9a

http://www.lerjorgedesena.letras.ufrj.br/antologias/traducao/rimbaud-por-jorge-de-sena/

http://literatortura.com/2012/10/a-hora-do-poema-arthur-rimbaud/

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